Álvaro Dantas Wanderley é advogado, graduado pela Faculdade de Direito do Recife.

Foi líder estudantil, tendo sido presidente do Grêmio da Escola Estadual Monsenhor Vieira, em Patos; candidato a Presidente do DCE da Universidade Católica de Pernambuco e integrante do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito do Recife.

Foi eleito Vereador pelo Município de Teixeira 1988. Foi Presidente do Instituto de Terras da Paraíba de 1995 a 2003, quando deixou o Governo para se dedicar à advocacia.

 
 

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02/11/2009 19:14

Tragèdia de Minas

Já havia pensado em não voltar mais ao tema, mas um comentário deixado por um leitor do Blog do Thércio me fez reconsiderar a idéia.

Primeiro, o comentário:

“Sr. Thercio,eu acho que o gov. do estado ou seu representante local, deve uma RESPOSTA AO POVO PARAIBANO, pela incompetencia no translado (sic) das vitimas do acidente em Minas Gerais, porque tanta demora, porque tanto impasse, porque tanto descaso com o ser humano após morte tão trágica. dêem uma resposta pois estas familias não tiveram o direito de velar seus entes querido (sic) por pura incompetência de nossos dirigentes estaduais.”
ANTONIO SILVA em 01/11/2009


Antes de mais nada, devo dizer que não acredito na existência desse “Antônio Silva”, é um pseudônimo, por trás de quem, se esconde alguém que não tem coragem de assumir o que diz.

Os que me conhecem sabem que sempre fui muito crítico sobre certos setores do Governo que não andam no ritmo que deveriam andar; mas neste caso o Governo agiu com competência e rapidez. Se mais não fez, foi porque não estava a seu alcance.

Este modesto auxiliar do Governador somente tomou conhecimento do acidente no inicio da noite do dia 28, quarta-feira. Antes de levar os fatos ao conhecimento do Governador, optei por pedir ajuda aos Deputados Gervásio Maia e Wilson Santiago. Gervásio, por sua vez, acionou o Secretário Chefe do Goveno – antiga Casa Civil.

Na quinta pela amanhã, avisado pelo Deputado Gervásio de que a Secretaria do Governo ainda não apresentara uma solução, fui à procura do Governador, encontrando-o por volta das 11:45 horas, em uma solenidade no bairro do Bessa, na Capital. Antes das 14:00 horas – e me lembro da hora porque às 14:00 horas eu entraria numa reunião com integrantes do MST – o Assessor Especial do Governador, Idácio Souto me ligaria informando que a Marinha do Brasil disponibilizara um helicóptero para fazer o traslado dos corpos.

Reparem que da hora em que levei o caso ao conhecimento do Governador até o momento em que foi disponibilizada a aeronave não se passaram nem duas horas!!

A partir desse momento, ficamos todos à espera da liberação dos corpos pelo IML, e depois pela funerária contratada para fazer o embalsamamento, o que só ocorreria na sexta-feira à tarde.

Nessa mesma tarde de sexta, o Secretário de Planejamento da Prefeitura de Teixeira, Leudo Farias, sugeriu que os corpos fossem transportados por via terrestre, porque, segundo ele, tinha informações da Polícia Militar de Minas Gerais de que não haveria condições de vôo para o helicóptero, porque na manhã seguinte estaria chovendo.

Informado da hipótese pelo Prefeito Daniel, liguei para o enviado da Prefeitura de Matureia ao local, Bruno Wanderley, e determinei, aqui não há outro termo a ser usado, que nenhum corpo saísse de lá a não ser por via aérea.

O sábado amanheceu com tempo bom e dia claro.

Porém, ao chegar ao aeroporto de Governador Valadares, o Comandante do Helicóptero, Capitão de Corveta Bravo – na Marinha, a patente de Capitão de Corveta equivale à de Major do Exército, ou da Aeronáutica -, informou a nosso pessoal lá – agora já contávamos também com a presença do Capitão Alves, enviado pelo Governo do Estado – que os corpos não poderiam ser transportados porque estavam em caixões de madeira, o que impedia o seu empilhamento, reduzindo, assim, a capacidade de armazenamento no helicóptero a apenas seis corpos, e nós tínhamos 10 a transportar. Ademais, dizia o Capitão Bravo, a vibração do helicóptero é muito intensa e destroçarias os caixões. Todos teriam que ser trocados por urnas de metal, e não havia mais condições para isso, dado o estado de decomposição dos corpos.

Aqui vai mais um comentário: Os corpos somente foram liberados pelo Governo de Minas para que fossem embalsamados, mais de 36 horas depois da morte. Nesse período eles não estiveram acondicionados em local refrigerado, o que tornou o embalsamamento praticamente desnecessário, haja vista o estado em que os corpos já foram entregues aos profissionais que preparariam os corpos para o traslado.

Como todos sabem, o embalsamamento é feito para retardar a decomposição dos corpos e neste caso eles já estavam em decomposição há mais de 36 horas!

Voltemos ao problema do meio de transporte. Ao comunicar que a Marinha não poderia fazer o transporte, aí pelas 10 horas da manhã do sábado, o nosso pessoal em Minas informou que havia uma empresa de aviação mineira, a TRIP Linhas Aéreas, que poderia fazer o transporte. De imediato foi solicitado um orçamento da empresa, que demorou duas horas para apresentá-lo: 108.200,00 para o transporte. O Governo da Paraíba autorizou a contratação.

Quando já era tarde, foi-nos dito que a TRIP não tinha autorização da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) para transportar mortos, e que uma autorização especial teria que ser dada pela Presidente da ANAC, Solange Vieira. Mas era sábado, e a Presidente não era encontrada.

Enquanto o pessoal tentava a autorização da ANAC, eu procurava fazer contato com o Governador Zé Maranhão, que estava em viagem pelo interior. Só consegui pelas três da tarde, quando ele chegou a Itaporanga.

O Governador manteve contato com o Brigadeiro Junito Saito, que a essa altura já estava de volta ao Brasil, que disponibilizou, a princípio, dois aviões Bandeirantes, que já estavam em Minas.

Minutos depois, Idacio Souto me liga, passava das quatro da tarde, dizendo que o problema agora é que, como não havíamos embalsamado os corpos (!), a Aeronáutica não poderia fazer o traslado. Nesse momento informei a Idácio que os corpos tinham sim, sido embalsamados, e que a Certidão de Embalsamamento estava com o Capitão Alves, lá em Governador Valadares.

Por volta das seis horas da tarde, Idácio me liga novamente dizendo que tudo fora resolvido e me pedia que comunicasse às autoridades e às famílias.

Às sete da noite o próprio Governador Maranhão me ligou para fazer um relato minucioso de toda a operação e pedindo os telefones dos Prefeitos Daniel e Wenceslau, para quem ligou em seguida.

RESUMO DA HISTÓRIA:

Quando foi avisado do acidente e da necessidade de fazer o traslado dos mortos, o Governador conseguiu com a Marinha, uma aeronave em MENOS de duas horas!

Quando a Marinha informou, no sábado, que não mais poderia fazer o transporte, o Governo da Paraíba acatou a sugestão dos que estavam em Minas, de contratar uma empresa privada, operação que não pode ser realizada por problemas da própria empresa.

Novamente o Governador foi contatado e em três horas conseguiu da Aeronáutica dois aviões Bandeirantes, depois substituídos por um C-105, bem maior, o que dispensava a utilização de duas aeronaves.

Falar em incompetência nesse momento é querer se utilizar de uma tragédia para tirar uma lasquinha política.

Todos os que participaram dessa missão, sejam os o integrantes das Prefeituras de Matureia e de Teixeira, sejam os integrantes dos Governos de Minas Gerais ou da Paraíba, ou ainda os membros da tripulação do avião que trouxe os corpos dos nossos conterrâneos, todos, sem exceção, tem a nítida sensação do dever cumprido.

enviada por Álvaro Dantas






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